sábado, 9 de fevereiro de 2013

Situação do curso de História.

O curso de História da UFAL faz 61 anos em 2013. Estamos em um curso com mais de meio século de existência! Mas o que isso significa? Que o curso encontra-se em pleno auge? Ou amarga o sucateamento da educação pública? A resposta mais convincente para ambas as perguntas é sim... E também não. Não nos encontramos nem no extremo da precariedade nem no extremo do melhor curso de História do Brasil.

Não há motivos para sermos derrotistas, se fossemos, negaríamos todas as melhorias do curso (que muitas vezes foram conquistas pelos alunos), mas não significa que estamos conformados com o atual estado do curso. E que estado é esse que nos encontramos?

Em primeiro momento temos grupos de pesquisa, monitorias, bolsas PIBIC e PIBID em funcionamento, uma especialização e um mestrado, do ponto de vista acadêmico aparentemente o curso está a todo vapor, pena que esse aspecto compõe uma parte de um todo que representa um curso de graduação em História. O corpo docente detém uma formação considerável, boa parte inserida em especializações (quando já não são doutores). Não significa que está ruim, pelo contrário, porém há um espaço para melhorias.

Agora, o outro lado da moeda.

Logo no primeiro contato com o curso, vestibular, os alunos se deparam com uma dicotomia, uma partição em dois, do bacharelado e licenciado. Enquanto um está encarregado de produzir conhecimento, pesquisador (bacharel) o outro está encarregado de reproduzir esse conhecimento em sala de aula, licenciado. Essa é a divisão deturpada do conhecimento que nos é imposta.

Mesmo sendo imposta essa condição dos cursos, assistimos às aulas, mas e as salas? Os bacharéis não partilham de uma “insuficiência” dos licenciados, a falta de salas! Tem-se que “vagar” de bloco em bloco esperando a complacência dos outros cursos em ceder salas. Só na integração dos cursos que podemos superar essa carência, que só não atinge os bacharéis em virtude da quantidade de alunos que entram no vestibular.

O curso de História Licenciatura está sob intervenção do MEC (suspensão temporária da autonomia do curso) devido às insuficiências do curso puxado pelo processo do ENADE (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes). Temos uma defasagem muito grande no que diz respeito a estruturas físicas, e os gestores da universidade parecem não mover uma “palha” para melhorar as condições de ensino dos estudantes de Licenciatura em História. Temos que fazer ecoar por toda a universidade os nossos problemas, só assim, na luta cotidiana, é que os nossos problemas serão sanados.
 
   Gestão Um Cahis para todos.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

EDITAL DE CONVOCAÇÃO PARA AS ELEIÇÕES DE DELEGADOS DO VI ConDCE – CONGRESSO DO DIRETÓRIO CENTRAL DOS ESTUDANTES




O Centro Acadêmico de História (Cahis) – da Universidade Federal de Alagoas, no uso de suas atribuições e conforme o Regimento Eleitoral do Congresso do DCE-UFAL torna aberto o processo de eleição de delegados ao VIConDCE (congresso do DCE), que ocorrerá entre os dias 22 a 24 de fevereiro, na cidade de Palmeira dos Índios, Alagoas.

TÍTULO I: DA COMISSÃO ELEITORAL

Art. 1º A comissão Eleitoral que coordenará as eleições para o VIConDCE é formada por 5 membros do curso de medicina regularmente matriculados:

Aluno: Marcelo  - 2º período Bachalerado
Aluno : Gelvane Dantas – 2º período Licenciatura
Aluno: Isis Numeriano  - 1º período Licenciatura
Aluno: Carlos – 3º período Licenciatura
Aluno Vinicius Albuquerque – 4º período Licenciatura
Art. 2º Aos/as componentes da Comissão Eleitoral cabe:

I – Cumprir e fazer cumprir as disposições deste edital;
II – Promover a ampla publicação do processo eleitoral, através da afixação deste edital nos murais de todas as salas de aula de aula do ICHCA e em ao menos um mural dos corredores e passagens em sala;
III – Receber, pessoalmente, a inscrição das chapas, observando o cumprimento, por seus membros, dos requisitos enumerados por este edital e pelo Regimento do Congresso do DCE;
IV – Conduzir e organizar o processo eleitoral, devendo:
a) Receber as indicações dos fiscais das chapas inscritas;
b) Mediar o debate entre as chapas, quando uma das chapas o fizer pedido.
c) Cumprir as funções de mesários durante a votação;
d) Proceder à apuração dos votos;

V – Disciplinar imparcialmente a conduta das chapas durante o processo eleitoral, através da aplicação das punições previstas no regimento do Congresso do DCE.

§ 1º. As atribuições previstas neste artigo são indelegáveis a pessoas que não componham a Comissão Eleitoral.

§ 2º. Ao participante da Comissão Eleitoral não é vedado o direito de elegibilidade.


TÍTULO II: DAS INSCRIÇÕES

Art. 3ºO período de inscrição de chapa dar-se-á da publicação deste edital até 24h antes da realização do primeiro dia do pleito, das 13:30 as 21h30min.

Art. 4º Poderá candidatar-se qualquer estudante regularmente matriculado/a no curso de História (Licenciatura e Bacharelado) da UFAL, mediante o atendimento dos requisitos deste título.

Art. 5º A inscrição não poderá ser individual, apenas serão aceitas inscrições de chapas.

Art. 6º A chapa deverá conter no mínimo 1 e no máximo 10  membros, nos termos do artigo 19 do Regimento do Congresso.Podendo ter para cada delegado 1 suplente, já que o curso tem 510 alunos.

Art. 7º A inscrição das chapas só poderá ser feita pessoalmente, com qualquer dos membros da comissão eleitoral, sendo essencial para o deferimento da inscrição:

I - Comprovante de Matrícula no curso atualizado;

II - Cópia de Documento de Identificação com Foto;

III - Lista nominal dos participantes da chapa.

Art. 8º Poderá fazer campanha, unicamente, a chapa regularmente inscrita no pleito, que não possua qualquer impedimento na forma deste regimento.

§ 1º A chapa que exercer atividades de campanha antes da inscrição poderá ter esta impugnada pela Comissão Eleitoral, tendo direito a ampla defesa e contraditório.

§ 2º Esta decisão deverá ser tomada por, no mínimo, 2/3 da Comissão Eleitoral.

Art. 9º As chapas poderão, até o término do período de inscrição incluir ou excluir membros, desde que sejam estudantes da História.
Art. 10° O número das chapas será atribuído pela Comissão Eleitoral em ordem crescente, de acordo com a ordem cronológica de inscrição.

TÍTULO III: DA CAMPANHA

Art. 11º As chapas devidamente inscritas poderão, a partir do dia 4 de Fevereiro de 2013, e somente a partir desta data, até o término da votação, realizar suas campanhas e apresentarem as ideias, propostas e programas da chapa para os estudantes da Faculdade de História da UFAL.

Parágrafo único. Por campanha entende-se a distribuição de panfletos, afixação de cartazes, passagem em sala de aula, exposição de faixas, divulgação online e afins.

TÍTULO IV: DA VOTAÇÃO

Art. 13. A votação ocorrerá nos dias 6 (tarde e noite) e 7 (tarde e noite) de Fevereiro de 2013, no horário das aulas, com urna em dois locais ( ICHCA).

§ 1º O quórum mínimo para a eleição dos delegados é de 20% do número de estudantes matriculados no curso.

Art. 14. O voto será direto e secreto.

Art. 15. Só poderão votar os/as estudantes regularmente matriculados/as na graduação em História (Bacharelado e Licenciatura) da UFAL, constantes lista a ser requerida ao Departamento de Registro e Controle Acadêmico e à coordenação da graduação em História.

Art. 16. O exercício do direito de voto é condicionado à assinatura da lista de votantes e à apresentação ao mesário de um documento de identificação original com foto, sendo aceitáveis carteiras de estudante e cartão da TRANSPAL.

Parágrafo único. Mediante decisão unânime da/o mesária/o, membro da Comissão eleitoral, e dos/as fiscais das chapas, o/a estudante poderá votar sem a apresentação do documento de identificação, devendo tal fato constar da ata de votação do respectivo período de votação.

Art. 17. Durante toda a votação, deverá estar junto à urna um/a mesária/o, que será membro da Comissão eleitoral. Pode o mesário delegar essa função, excepcionalmente, a qualquer estudante do Curso de História que não faça parte de quaisquer das chapas concorrentes, devendo a substituição temporária constar da ata de votação. Cabe ao/a mensário/a:
I – Verificar os documentos apresentados para votação;
II – Disciplinar a conduta das chapas nas suas campanhas, especialmente quanto à distância mínima a que se refere o inciso XII do art. 11;
III – Abrir e fechar a urna no período de votação respectivo
IV – Redigir a ata do respectivo período de votação, fazendo constar:
a) O horário de abertura da urna;
b) O horário de fechamento da urna;
c) Nomes dos/as fiscais de chapa para o período;
d) Todas as ocorrências registradas no período;
e) Informações quanto à quantidade de votantes antes e depois da votação do período;
f) Informações quanto à quantidade de cédulas antes e depois da votação do período.


Art. 18. Os/as fiscais de chapa deverão ser indicados ao início do período de votação, podendo acompanhar e auxiliar o/a mesário/a na organização da votação, observada a vedação do inciso XII do art. 11.

Art. 19. Ao início de cada período de votação, todo o material deverá ser contabilizado e as suas quantidades registradas na ata de votação do período, conforme modelo do Anexo II deste edital, que deve ser subscrita pelo/a mesário/a e pelos/as representantes presentes das chapas.

Art. 20. Sempre que a votação for interrompida em cada período de votação, o/a mesário/a procederá à contagem das cédulas restantes lacrará estas e a urna.
§1° Até abertura do período de votação seguinte, a urna ficará em poder de um membro da comissão eleitoral, as cédulas de posse de outro membro e a lista de votação ficará com um terceiro membro da Comissão Eleitoral.
§2° Se houver apenas dois membros da Comissão presentes, a lista e as cédulas poderão permanecer com o mesmo membro.

Art. 21. Por consenso entre seus membros, a Comissão Eleitoral poderá solicitar que parte do material eleitoral (urna, cédulas e lista) permaneça em alguma secretaria do ICHCA.

Parágrafo único. Em qualquer caso, será registrado na ata de votação onde ou com quais membros da Comissão Eleitoral permaneceu o material de votação.

Art. 23 Qualquer irregularidade ocorrida durante a votação constará em ata, para julgamento posterior da Comissão Eleitoral, que poderá aplicar as penalidades do Título VI Comissão Eleitoral.

TÍTULO VI: DAS INFRAÇÕES E PENALIDADES ÀS CHAPAS

Art. 24 Em caso de denúncia envolvendo a legitimidade da candidatura de algum participante, a comissão eleitoral apurará e decidirá acerca dos fatos, tendo o candidato direito à ampla defesa e ao contraditório.

§ 1º À comissão será vedada qualquer outra sanção que não as dispostas neste estatuto.

§ 2º O candidato irregular será passível de:
I - Suspensão de seu direito de realizar campanha até que estejam sanadas as irregularidades em que esteja envolvido;
II - Suspensão do direito de sua chapa de realizar campanha até que estejam sanadas as irregularidades em que esteja envolvido;
III - Inelegibilidade do candidato em situação irregular;
IV - Inelegibilidade da chapa da qual faça parte o candidato em situação irregular, caso qualquer das sanções acima seja descumprida por qualquer de seus membros.

TÍTULO VII: DA APURAÇÃO E DA PROCLAMAÇÃO DO RESULTADO

Art. 25 A apuração será realizada no último dia de votação, na sala do CAHIS, tão logo esteja encerrada a votação.

Art. 26. Havendo necessidade, serão julgados pela Comissão Eleitoral, antes da apuração, os recursos e ocorrências pendentes.

Art. 27. Para a apuração, é necessária a presença de no mínimo dois membros da Comissão Eleitoral, sendo garantida a presença de um fiscal ou representante de cada chapa no recinto.

Art. 28 A validade do processo eleitoral está condicionada à participação, como votante, no mínimo, de 20% da totalidade dos estudantes da Faculdade de História da UFAL.

Art. 29. Qualquer urna será anulada se houver a diferença de 3%, para mais ou para menos, entre o número de cédulas em seu interior e o número de assinaturas na lista de votação.

Art. 30. Procedida a apuração dos votos e validado o certame, a Comissão Eleitoral proclamará o resultado, fazendo constar nos murais o resultado da eleição

Art. 31. Os casos omissos serão resolvidos pela Comissão Eleitoral.

Art. 32. Este edital entra em vigor a partir da data de sua publicação.
Maceió 29de  janeiro de 2013

Comissão Eleitoral de Medicina do VI CONDCE

domingo, 9 de dezembro de 2012

Carta à comunidade acadêmica


Essa carta tem como objetivo transmitir aos alunos e professores do curso de História ocorrências que vem interferindo na formação dos graduandos do curso.

É sabido por todos, que a História oficial é sempre contada, tanto nos veículos da mídia burguesa como até mesmo na academia, sob a perspectiva dos vencedores. Não há espaço para os vencidos, para eles ficam apenas o isolamento e o esquecimento.

Buscando dentro da academia, encontramos correntes historiográficas que afirmam que no Brasil colonial existia uma relação harmoniosa entre os senhores de terras e os escravos, negando, completamente, a resistência que os negros instauraram dentro desse regime – os quilombos. Ainda nesse sentido, em um
acontecimento mais recente, a mídia brasileira encobriu o genocídio que vem sendo tocado pelo governo da tribo indígena Guarani-Kaiowá.

A reprodução dessa história vista de cima na academia, ainda que nos dias atuais, acontece tanto descaradamente como de forma velada. A conduta de certos acadêmicos dentro da sala de aula reafirma, na modalidade do racismo, a visão turva que eles têm sobre esses grupos historicamente marginalizados.

Um exemplo gritante é a formulação, débil, de que o Brasil é um país que não dispõe de uma economia mais robusta por causa dos índios que eram “preguiçosos”.

Sabemos que todos nós somos seres únicos, e por isso, qualquer comparação que busque compreender o ser humano com base noutro, nos leva a perder o que nos torna únicos. Atribuir uma característica como “preguiçoso” ao índio, em comparação ao europeu (do século XVI), menospreza a realidade do índio, na qual, ele trabalhava, mas não nos moldes da Europa do século XVI.

Visto que, esse desserviço a comunidade acadêmica vem acorrendo dentro do curso de graduação em História, o centro acadêmico tem como dever mostrar essas práticas deveras condenáveis.

Nós do centro academico de história convidamos cada estudante a se posicionar contra o racismo e contra toda forma de opressão que é disseminada dentro de discursos supostamente acadêmicos. Nós estudantes não iremos silenciar ao discurso racista de muitos professores. É preciso combater o racismo em todas as
suas formas!

A história não quer professor racista!
Por uma história dos índios, negros e explorados, não dos colonizadores e
senhores de engenho.


CENTRO ACADÊMICO DE HISTÓRIA DA UFAL (Campus A.C. Simões)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Informativo do Comando de Mobilização Estudantil da UFAL


O texto a seguir, foi um informativo que saiu no blog do Comando de Mobilização dos Estudantes da UFAL, no decorrer do processo de greves e mobilizações de estudantes, docentes e técnicos administrativos. O Centro Acadêmico de História, vem construindo esse comando desde seu início, até o exato momento, logo, ficou decidido que seria compartilhado com os estudantes de História (não apenas da UFAL, mas das demais universidades do país) o posicionamento do mesmo sobre a conjuntura do governo PT e analise sobre greve nacional e local.

(Centro Acadêmico de História da UFAL)


O Comando de Mobilização Estudantil da UFAL vem, por meio deste, apontar uma breve avaliação do que têm significado as mobilizações de diversos setores da sociedade brasileira em oposição ao modelo de desenvolvimento neoliberal do Governo Dilma, que privilegia banqueiros, empreiteiros, grandes empresários e demais setores da burguesia nacional e internacional em detrimento ao interesse dos/as trabalhadores/as, estudantes e da maioria da população.

Reafirmamos a necessidade das lutas estudantis em direta unidade ao movimento de técnicos e professores, tanto a nível local, quanto organizada no Comando Nacional de Greve Estudantil. O CNGE é instrumento de mobilização que se configura num verdadeiro polo de resistência contra as políticas privatistas do governo federal e representa o fortalecimento do movimento estudantil combativo, defensor de uma universidade pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada.

A greve é forte! A luta é agora!

Por que estamos em greve?

As políticas neoliberais estão intrinsecamente ligadas a construção de diretrizes econômicas e políticas a nível internacional que repercutem de modo diferenciado em cada país e de modo mais severo nos países periféricos. Ataques ao setor público por meio de privatizações e políticas que culminam no sucateamento dos espaços e bens públicos, redução de direitos trabalhistas (reforçando a exploração capitalista) têm sido formas utilizadas pelo sistema capitalista que objetivam responder à necessidade de expansão e manutenção do sistema exploratório diante da realidade da crise estrutural do capital.

Neste panorama, a educação, ainda que erigida a uma das prioridades do Estado - possuindo destaque na Constituição Federal - deve passar a ser tratada enquanto um serviço, comercializado, funcionando como fonte de lucro. Assim, o Governo passa a intervir para garantir a mercantilização daquela, tal qual faz com a saúde, transportes, comunicações, entre outros setores.

As políticas e reformas do Governo Federal em relação à Universidade Pública, seguindo os parâmetros definidos nas determinações do Banco Mundial e do FMI para a educação, objetivam a mudança da sua função social, buscando adequá-la à necessidade da manutenção do sistema capitalista e ao papel periférico do capitalismo brasileiro. A Universidade Pública deve se transformar num mecanismo funcional e organizacional “de suporte a empresas, em detrimento de sua função pública de produção e socialização de conhecimento voltado para os problemas lógicos e epistemológicos do conhecimento e para os problemas atuais e futuros dos povos” [1].

O corte de verbas destinadas à Universidade e o seu remodelamento com a busca de investimento do setor privado, retiram da comunidade acadêmica sua autonomia na produção do conhecimento e capacidade de buscar resoluções para os problemas sociais, colocando-a sob a égide do interesse do mercado financeiro e dos grandes capitalistas. Ressaltando que inexiste uma ruptura entre as políticas educacionais do governo Lula/Dilma e os governos tipicamente burgueses que o antecederam, ao contrário, programas como o Reuni e Prouni agravaram a situação do ensino superior público.

Neste contexto, a desvalorização dos técnicos e professores cumpre uma função primordial, posto que “a ideia-força é de que os docentes crescentemente pauperizados devem ser induzidos a prestar serviços, seja ao próprio governo, operando suas políticas de alívio à pobreza, alternativa presente nas ciências sociais e humanas ou, no caso das ciências ditas duras, a se enquadrarem no rol das atividades de pesquisa e desenvolvimento (ditas de inovação), funções que a literatura internacional comprova que não ocorrem (e não podem ser realizadas) nas universidades [2]. A rigor, em nome da inovação, as corporações querem que as universidades sejam prestadoras de serviços diversos que elas próprias não estão dispostas a desenvolver pois envolveriam a criação de departamentos de pesquisa e desenvolvimento e a contratação de pessoal qualificado”[3].

Como consequência, temos o momento atual de mobilização e greve de estudantes, docentes e técnicos das instituições federais de ensino, que encontram-se mobilizados desde maio do presente ano. A greve que se iniciou a partir da demanda por uma reestruturação da carreira docente, aponta o fracasso do projeto neoliberal para a educação, ao passo que representa uma vitória política, apontando a necessidade de radicalização e unidade nas lutas após completar três meses. Assim, não podemos nos furtar ao nos posicionar contra o aprofundamento da precarização da educação pública a que se pretende o Reuni 2, o novo PNE, o investimento de 10% do PIB para a educação (nem pública, nem gratuita, nem já!) para 2023 entre outros ataques à educação pública.

De que lado você samba?

Cabe esclarecer que as categorias em greve se mobilizam em torno de instrumentos diferenciados. A maioria das universidades em greve docente está representada Comando de Greve Docentes, sendo o ANDES-SN o sindicato que responde por esta categoria. Neste aspecto, o PROIFES (Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior), sindicato que representa pequena parcela das universidades, criado como contraponto ao Andes e base de sustentação do governo, apresenta-se desde o início da greve dos docentes como entrave as lutas, firmando acordos com o governo que não satisfazem as demandas dos professores e desrespeitando até mesmo as decisões de suas bases.

Por sua vez, o instrumento que tem unificado as lutas dos/as estudantes mobilizados/as e em greve em âmbito nacional é o Comando Nacional de Greve Estudantil. O CNGE foi criado no dia 05 de junho de 2012 na cidade de Brasília, com o objetivo de facilitar a coordenação de ações em escala nacional e avançar nas negociações junto ao Estado. Ganhando legitimidade diante da reunião de estudantes grevistas das cinco regiões do país, somando mais de 50 delegados/as representantes eleitos/as em assembleias de base.

A organização do comando aprofunda o debate sobre burocratização da UNE, que aparelhada pela majoritária da UJS, ainda se reivindica enquanto representação de estudantes de todo o Brasil, contudo se afigura como entidade que além de não funcionar como instrumento para as lutas estudantis se coloca contrária a elas. Além de servir como base de sustentação do governo federal, expressa na sua prática cotidiana uma burocratização que funciona como entrave às mobilizações e às lutas por uma educação pública, gratuita e de qualidade.

Uma entidade estudantil, seja ela um Grêmio, Centro, Diretório Acadêmico ou uma entidade nacional deve funcionar como instrumento para organizar coletivamente as demandas e lutas dos estudantes. Quando a disputa por sua direção e gestão se apresentam como finalidade predominante dos grupos que a compõem, a abertura para a prática de um sem-número de desmandos e atitudes criticáveis para a manutenção do poder é vista como natural e o aparelhamento por determinado grupo como inevitável.

É neste panorama que os/as militantes do movimento estudantil e seus grupos devem avaliar se a participação nos espaços burocratizados da entidade ainda funciona como alternativa para aqueles interessados em se organizar coletivamente para resistir aos ataques do governo/Estado à educação pública ou a disputa interna na UNE somente legitima a burocratização e o aparelhamento da entidade por sua majoritária que há anos não representa o interesse dos estudantes ou se posiciona como entidade classista.

Enquanto isso, na UFAL...

Na última semana, o site da Universidade Federal de Alagoas divulgou nota na qual afirmava estar a greve de professores próxima ao fim, com afirmações como “expectativa é de que as universidades e institutos federais retomem as atividades”[4]. É com esse tipo de atitude, que percebemos claramente o desrespeito tanto por parte da reitoria da UFAL (que por ordem já torna-se palanque para as políticas do governo federal), quanto do próprio governo, que se utiliza da mídia para tentar colocar a população contra as mobilizações dos servidores federais, ao passo que oferece aumentos que nem ao menos superam a inflação e falsas melhorias nas condições de prestação de serviços ou no plano de carreiras.

A greve atual tem como uma de suas principais causas o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais - Reuni. Implantado em 2007 na UFAL - com a ausência de diálogo com a comunidade acadêmica, evidenciando o caráter autoritário da administração da Universidade; durante a sua implatanção, estudantes passaram dias em ocupação na Reitoria da UFAL, objetivando a abertura de um canal de diálogo e debate sobre a implantação do programa e seus termos para a Universidade. Após as mobilizações estudantis, além da ausência de diálogo para a aplicação do programa, alguns estudantes foram processados judicialmente, tendo que pagar serviços ao Estado como forma de punição.

Devido à precarização causada e/ou agravada pelo Reuni, diversas mobilizações acontecem na UFAL desde 2007. No começo de 2011, estudantes de Medicina Veterinária de Viçosa vieram a Maceió protestar por melhores condições de ensino, entre as pautas: hospital veterinário, água potável, laboratórios, entre outras problemáticas que precisavam de resolução imediata.

Em Arapiraca, a situação do presídio que está localizado no mesmo terreno da Universidade alcançou uma situação insustentável. As fugas frequentes e rebeliões, além da ausência de diálogo prévio entre a reitoria, o poder público estadual e a comunidade acadêmica compeliram esta a paralisar as suas atividades mesmo antes da greve docente da UFAL.

Em Maceió, os problemas repercutem de forma diferenciada no cotidiano de cada curso, falta de salas de aula, professores, laboratórios, bolsas pesquisas em valor e quantidade suficientes, assistência estudantil, além do assédio moral e da exploração do serviço prestado pelos bolsistas.

Em 2011, por estar “sofrendo na pele” essa precarização, reunidos/as numa assembléia com mais de 600 participantes (durante a greve dos técnicos e professores), decidiram levar uma pauta de reinvidicações ao gabinete da reitora e só saírem de lá após uma audiência pública, passando 5 dias numa ocupação da reitoria. Como resultado, 7 estudantes estão sendo processados/as numa ação de reintegração de posse que persiste meses após a desocupação, existindo o interesse declarado da administração da universidade em reprimir os estudantes mobilizados, adotando um discurso que encontra respaldo na prática dos órgãos estatais de repressão do período da ditadura civil-militar.

As palavras da atual Vice-Reitora em CONSUNI, referindo-se aos estudantes processados, são esclarecedoras: “Gente, qualquer atitude tem uma consequência. Antigamente, na época dos meus pais, na época de alguns que são mais velhos que eu aqui, quando a gente era fixado pelo DOPS, quando a gente era cadastrado no Serviço Nacional de Informação, quando a gente era perseguido, a gente tinha orgulho disso. Agora não, os estudantes são responsabilizados por uma ação que fazem e fica todo mundo se “afrouxando”. Por que? Eu acho que a gente tem que assumir com responsabilidade os atos que a gente faz. Vocês não queriam ocupar, gente? Quem ocupa deve ter claramente a noção, que as coisas tem uma consequência. Então, esse é o preço que a gente está pagando”[5].

E agora, José?

A adesão à greve atual representa uma grande vitória dos setores combativos e deixa ainda mais clara a postura neoliberal dos Governos do PT. Diante deste panorama de luta por uma educação pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada é necessário que os/as estudantes da UFAL se mobilizem ao lado das outras categorias da universidade, dos/as demais servidores/as em greve e dos/as estudantes de todo o país para que as pautas dos movimentos grevistas sejam atendidas e para que a resistência ao desmonte da Universidade Pública se fortaleça. É necessário fortalecer o Comando de Mobilização Estudantil da UFAL e o Comando Nacional de Greve Estudantil.

Pela reabertura das negociações com os/as docentes e em favor das lutas dos/as técnicos/as administrativos/as e dos/as demais servidores/as públicos/as!
Quem negocia a greve estudantil é o Comando Nacional de Greve de Estudantes!
Contra os programas do Governo Federal como o Reuni 2, o Novo PNE, Prouni e Fies!
10% para educação pública já!
Pela retirada dos processos contra os/as estudantes da UFAL!
Não a EBSERH!
Pelo atendimento às pautas locais das três categorias!

A greve é forte. A luta é agora!

Comando de Mobilização Estudantil da UFAL,
Agosto de 2012.

[1] LEHER, Roberto. O governo Dilma, a greve nacional dos docentes e a universidade de serviços. Disponível em: 
[2] Mansfield, Edwin 1998 Academic research and industrial innovation: An update of empirical findings em Research Policy 26, p. 773–776.
[3] LEHER, Roberto. Op. Cit. 
[4] MEC anuncia conclusão das negociações com os professores. Disponível em: .
[5]Declaração da Vice-Reitora da Ufal disponível em: < http://www.youtube.com/watch?v=u-uuEmkljis>.



terça-feira, 7 de agosto de 2012

ASSEMBLÉIA ESTUDANTIL DA UFAL


GENTE, É BEM IMPORTANTE QUE TODOS OS ESTUDANES PARTICIPEM, COLOQUEM SUAS REIVINDICAÇÕES E FIQUE POR DENTRO DO QUE ESTÁ ACONTECENDO NÃO APENAS NA NOSSA UFAL, MAS EM TODAS AS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS.




CAHIS UFAL 
CONSTRUINDO A LUTA POR UMA EDUCAÇÃO PÚBLICA, GRATUITA E DE QUALIDADE.